Alfonso de OrteArte · Percepção · Sistemas
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Uma investigação contínua

Alfonso
de Orte.

Artista. Pensador de sistemas.
Criador em diferentes meios.

Aos setenta e um anos, continuo seguindo o mesmo hábito que me acompanhou por campos muito diferentes:

compreender a estrutura,
encontrar a possibilidade inexplorada,
reconfigurar, elevar.

Explore a trajetória
Hypercube — uma estrutura persistente transformada pela cor
Hypercube · Uma estrutura. Muitas transformações.
Veja o trabalho atual
Ciência / Imagem / Comunicação / Arte / TecnologiaSiga o fio ↓

Hoje, esse hábito aparece em ativos visuais, sistemas semânticos, autoria, IA, percepção e espaço.

AFFECTUS, AUCTOR e M4D-B4C podem parecer desconectados.
Não estão.

São expressões atuais de um padrão que vem aparecendo há décadas.

01 / A trajetória

Uma mente,
muitos ambientes.

Não penso na minha trajetória como uma sequência de profissões.

Ciência, imagem, comunicação, arte, tecnologia e sistemas nunca foram capítulos isolados. Eram ambientes diferentes em que as mesmas perguntas voltavam a surgir.

01 / Trajetória

Entre códigos

Antes das teorias sobre cruzar sistemas, havia duas línguas, dois ambientes culturais — e um coelho.

Cresci transitando entre os mundos brasileiro/lusófono e paraguaio/hispânico: próximos o bastante para serem familiares, diferentes o bastante para exigir tradução constante.

Um bilhete de infância torna isso visível de uma forma que nenhum currículo conseguiria.

Escrito em espanhol para meu inseparável coelho de brinquedo, Conejo, preserva uma pequena cena daquela infância.

O bilhete sobreviveu.

Conejo também.

Os códigos mudaram com o tempo.

O ato de atravessá-los, não.

Conejo, seu pequeno companheiro e o bilhete de infância em espanhol
Conejo y conejito · Do arquivo pessoal
02 / Trajetória

O movimento como educação

Na adolescência, o movimento já havia se tornado uma forma de educação.

Viajar significava entrar em ambientes desconhecidos, observar como funcionavam, encontrar um lugar neles e aprender pelo contato direto.

Aos dezessete anos, durante o Festival de Cultura de Ouro Preto, conheci a animação experimental e a intervenção direta sobre película.

Em 1973, também concluí um curso introdutório de cinema em Curitiba, ministrado por Ademar Carvalhaes e Carlos Vieira.

Nada disso se tornou “uma carreira no cinema”.

É precisamente por isso que importa.

A curiosidade me levou repetidamente de observador a praticante.

Ver algo. Entrar. Compreender por dentro. Levar algo adiante.

Certificado do curso introdutório de cinema de 1973
Curitiba, 1973 · Curso de cinema
03 / Trajetória

Através da lente

O caminho da imagem à física passou por uma lente.

Eu estudava Comunicação e Jornalismo quando a fotografia profissional me levou à óptica.

A imagem deixou de ser apenas composição, luz e efeito visual.

Tornou-se uma questão física.

E essa questão me levou à Física.

A fotografia permaneceu.

A comunicação permaneceu.

O que mudou foi a profundidade com que eu investigava o mesmo ato de olhar.

Um meio se tornou uma pergunta.
A pergunta se tornou um campo.

Panorama fotográfico circular de uma cidade
A imagem se torna uma questão física.
04 / Trajetória

Reformular o problema

Em 1978, ainda estudante, outra operação recorrente se tornou visível.

Um problema conhecido da relatividade restrita sugeriu uma pergunta diferente.

O que acontece quando a estrutura familiar é ampliada?

Uma nova versão do paradoxo do comprimento envolvendo uma esfera e um anel foi posteriormente publicada no American Journal of Physics, com o artigo reconhecendo explicitamente que a forma do problema havia sido sugerida pelo estudante Alfonso de Orte.

A importância do episódio não está no fato de pertencer à Física.

Está no fato de a mesma operação aparecer em outros lugares:

partir de uma estrutura estabelecida; mudar o enquadramento; olhar de novo.

Artigo de arquivo sobre o paradoxo do comprimento na relatividade
1978 · Do arquivo pessoal
05 / Trajetória

Sistemas no mundo real

A física logo passou da abstração à consequência.

A física médica e a proteção radiológica exigem mais do que compreensão.

As medições precisam corresponder à realidade.

O risco precisa ser interpretado.

A informação técnica precisa se tornar ação.

Ao longo de décadas, trabalhei em ambientes clínicos, institucionais, regulatórios e judiciais.

Participei de ações de saúde pública, atuei em proteção radiológica, trabalhei no contexto do acidente com césio em Goiânia, fundei a NUCLEO e fui perito judicial por vinte e seis anos.

Em 1994, a cobertura jornalística já me mostrava defendendo publicamente maior prevenção, rigor técnico e regulamentação no uso de raios X.

Instituições diferentes.

Regras diferentes.

A mesma exigência recorrente:

compreender como o sistema realmente opera, não apenas como é descrito.

Artigo de jornal intitulado Físico faz alerta sobre raio-X
1994 · A informação técnica se torna ação pública.
06 / Trajetória

Hackear a estrutura

Há muito tempo pratico uma forma particular de hacking.

Não invasão.

Reconfiguração.

Compreender como um sistema funciona.

Identificar o que ele deixa inexplorado.

Mudar o arranjo até que funcione melhor — ou se torne capaz de servir a um propósito inteiramente diferente.

As ferramentas mudaram.

A programação inicial aparecia em fluxogramas, ramificações, laços, entradas e saídas.

Hoje, boa parte do mesmo raciocínio aparece no vibe coding.

O código pode ser gerado de outra forma.

O ato de projetar o fluxo é familiar.

A mesma operação aparece fora do software.

Uma técnica se torna ferramenta para outro campo.

Uma limitação se torna uma abertura.

Uma infraestrutura criada para um propósito se torna a solução para outro problema.

Compreender a estrutura.
Encontrar a possibilidade inexplorada.
Reconfigurar.
Elevar.

07 / Trajetória

O meio muda

Desenho.

Fotografia.

Imagem científica.

Voz.

Aquarela.

Grafite.

Trabalho digital.

Blockchain.

Processos assistidos por IA.

Os meios mudaram repetidamente.

A operação subjacente, não.

Cada novo meio se tornou um campo de prospecção.

O que ele pode fazer?

O que ele torna possível que o anterior não permitia?

O que acontece quando ele se combina com algo de outro domínio?

Uma imagem feita à mão pode se tornar digital.

Uma fotografia pode se tornar um novo objeto espacial.

Uma imagem digital pode retornar à forma física.

Uma saída de IA pode se tornar matéria-prima para novas intervenções humanas.

O meio raramente é o destino.
É material para outra transformação.

Alfonso desenhando no papel, com mãos e ferramentas visíveis
Outro meio. A mesma pergunta.
02 / Obras selecionadas

As obras não são
organizadas por meio.

Não são galerias separadas de grafite, aquarela, fotografia, arte digital ou IA. São exemplos de operações recorrentes que aparecem em formas diferentes.

06 / Tensão / Coexistência
Flores contra uma superfície mineral texturizada
Flowers and Concrete — uma segunda composição

Flowers and Concrete

Crescimento orgânico contra a superfície mineral.

Delicadeza contra abrasão.

Ornamento contra estrutura.

Não decoração sobre concreto.

Coexistência.

01 / Transformar
Mulher fiando lã

Chola fiando lã

Matéria se tornando função.

Lã se tornando fio.

Fio se tornando a possibilidade de tecido.

Um gesto manual simples carregando a mesma pergunta que aparece em outros lugares:

em que mais isso pode se transformar?

02 / Observar / Reenquadrar
Desenho em grafite de reflexos no vidro e no espelho de um carro
Desenho a grafite

Reflexos

A superfície de um carro, vidro, cromo, espelho.

O assunto não é apenas o objeto.

É como as superfícies reorganizam o que pode ser visto.

03 / Forças invisíveis
Vento curvando palmeiras junto à água

Vento

O vento em si não pode ser desenhado.

Seus efeitos, sim.

Troncos curvados, copas em movimento, água agitada.

O que não pode ser visto ainda pode ser lido.

04 / Estrutura / Identidade através da transformação
Estrutura de base de Hypercube
Hypercube transformado pela cor
Hypercube transformado pela matéria

Hypercube

Uma estrutura de base.

Cada obra posterior parte dessa matriz mais alguma coisa.

A estrutura persiste.

A interpretação muda.

Uma estrutura. Muitas transformações.

05 / Variação sem perda de identidade
Star 67 · Ethereum
Star 67 · Ethereum
Star 72 · Ethereum
Star 72 · Ethereum
Star 83 · Ethereum
Star 83 · Ethereum

333 Stars

Uma base.

333 variações.

A obra muda por meio da cor, textura, tratamento, atmosfera e densidade, preservando um núcleo reconhecível.

Uma estrutura estável. Transformações repetidas.

07 / Processo
Mãos desenhando uma obra em andamento

A arte de fazer

Mãos, ferramentas, escala, estados inacabados.

A obra antes de estar pronta.

O processo não é material de bastidores.

É evidência da transformação em andamento.

03 / Reconhecimento e presença

Selecionado.
Publicado. Exposto.

  1. 01

    1978 — American Journal of Physics
    Um artigo publicado sobre o paradoxo do comprimento na relatividade atribui explicitamente uma nova forma do problema a uma sugestão do estudante Alfonso de Orte.

  2. 02

    2023 — Visa Creator Program
    Selecionado como um dos cinco criadores da turma global de 2023.

  3. 03

    ETHDenver — HUG Open Call
    Artista selecionado para a exposição na ETHDenver por meio da HUG.

  4. 04

    Blockchain Futurist Conference / BitBasel — Flórida, EUA
    Obra selecionada para exibição.

  5. 05

    HUG — Perfil de artista
    Presença pública como artista e seleções curatoriais.

  6. 06

    Ethereum
    Obras e séries selecionadas registradas em blockchain, incluindo Hypercube e 333 Stars.

04 / Agora — AFFECTUS

A imagem já não
termina na moldura.

Meu trabalho atual estende a mesma lógica a outro campo: imagem como ativo visual.

Uma obra pode existir como peça emoldurada. A mesma linguagem visual também pode ser suavizada, expandida, tornada translúcida ou integrada a uma superfície arquitetônica maior.

A origem permanece reconhecível.
A função muda.

Obra botânica de cores vivas, com flores azuis e acobreadas
01 / PresençaA obra emoldurada
A mesma composição botânica com tratamento suavizado
02 / AtmosferaO ativo visual expandido

Obra ativo visual ambiente.

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Projetos diferentes. Resultados diferentes.
Uma operação familiar: ler o sistema, encontrar a relação oculta, mudar o enquadramento, construir a partir do que se torna visível.

05 / Contato

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